Já vai algum tempo desde que a Cold Steel introduziu no mercado a série de cutelaria de lâmina sintética denominada Nightshade FGX. A particularidade destas peças de lâmina fixa é a de serem 100% livres de metal. As vantagens (e desvantagens) nascem todas a partir desta característica.

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O material que compõe a parte rígida da faca (geralmente a lâmina e o esporão) denomina-se Griv-Ex (antigamente chamado de Grivory) e é um polímero plástico de última geração fortalecido com fibra de vidro (similar ao FRN da Spyderco). Ao contrário do Kydex (usado geralmente para baínhas e coldres), o Grivory é menos maleável, tornando-o um candidato ideal para a construção de superfícies cortantes ou perfurantes, sem risco de dobrar, estilhaçar ou detiorar-se rapidamente com um uso mais agressivo. Mas especialmente em relação a este último ponto, as coisas não são bem como o fabricante anuncia.

Tendo já lidado com este tipo de dispositivo cortante, posso assegurar que o fio que acompanha esta lâmina especial é muito fácil de estragar, especialmente nos modelos de lâmina fina e serrilhada (modelo Skean Dhu, por exemplo). Como não podem ser afiadas (podem ser aparadas utilizando uma outra faca – de lâmina metálica, claro) a performance e o seu valor decresce “a pique” conforme o uso. O fio de corte, mesmo acabado de sair da embalagem, é fraco e embora possa magoar seriamente uma pessoa, o esforço necessário para o fazer é largamente superior comparado com qualquer outra faca bem afiada.

Contudo, em termos de factor de penetração, estamos perante um caso sério e perigoso. Creio até que foi para essa finalidade que elas foram desenhadas. Os modelos mais eficientes neste aspecto são: as duas Boot Blade, Push Blade e a Tai Pan.

Em termos de vantagens, existem muitas: a relação preço/eficácia (em penetração e não em corte); o seu reduzido peso, tornando-as altamente transportáveis; e pelo facto de serem em plástico, são imunes à humidade, temperatura e outros fatores atmosféricos. Podem ser enterradas, abandonadas à luz solar ou submergidas em água salgada, sendo que no fim retêm todas as suas propriedades práticas.

A própria Cold Steel sugere que a utilização destas peças se resuma à defesa doméstica e a casos muito pontuais. Contudo não é preciso ser nenhum génio para extrapolar que outras “portas” poderão abrir estas facas.

A questão que se coloca é: serão legais? Surpreendentemente, são legais nos Estados Unidos, não obstante de se poderem transformar numa arma branca de forma eficaz e, ao mesmo tempo, serem invisíveis aos detetores de metais. No Reino Unido são explicitamente proibidas. Em Portugal, a lei é omissa quando ao material da lâmina, colocando (inevitavelmente) tudo no mesmo saco. Sabemos que o modelo Jungle Dart é proíbido (pois destina-se ao arremesso), mas as restantes podem ser enquadradas (mediante o contexto, claro) na “lista branca” da lei.

Dificilmente se classificariam estas peças como armas dissimuladas, uma vez que o seu aspecto é, sem dúvidas para quem observa, o de uma peça de cutelaria e de todos os perigos que traduz. Contudo, acredito que a interpretação da legalidade da faca pode ser susceptível a desvios, sendo que a própria natureza indetetável podera dar sequência a mais chatices e interrogações.

Veredito: É legal mas pode consistir num íman de complicações para o utilizador, rotulando-o de uma forma que este possa não querer. O meu conselho vai para a manutenção destas peças no seio da colecção, em casa e fora da via pública.